quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como saber se a bombinha terminou?

Essa é uma questão muito importante! Nem todas as bombinhas vem com contador de dose para nos ajudar. Quanto às bombinhas preventivas, que precisam ser usadas diariamente, a melhor maneira de saber é calculando. Por exemplo: Se o preventivo vem com 60 doses e a dose prescrita é de 1 jato 2 x ao dia, a medicação terminará em 30 dias (se você não esquecer nenhuma dose). Se o preventivo vem com 200 doses e a dose prescrita é de 2 jatos 2 x ao dia, a medicação terminará em 1 mês e 20 dias (se você não esquecer nenhuma dose).

É comum que os jatos das bombinhas continuem saindo com a mesma força mesmo após o término da medicação. Isso não quer dizer que ainda tenha princípio ativo naquele jato. Na verdade, nele só tem o gás propelente. Ou seja, se sua bombinha diz que contém 60 doses de fluticasona, ciclesonida, budesonida ou beclometasona, a partir do jato 61 não mais estarão sendo dispensadas estas medicações, só o gás propelente.

Alguns pacientes permanecem usando suas bombinhas preventivas por dias ou semanas além do término das doses pensando que estão protegidos, quando realmente não estão. Nisso, muitos acabam entrando em crise e podem levar o médico a pensar que o preventivo não está fazendo efeito ou que a dose está baixa, consequentemente ocasionando trocas de preventivo ou aumento de doses sem necessidade.

Portanto, cuidado e marque bem o dia certo de trocar sua bombinha!


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Tabagismo e doenças respiratórias

Todo mundo sabe dos malefícios do cigarro - a mídia está sempre noticiando sobre o assunto. Mas o hábito de fumar e as doenças respiratórias são tão frequentes que não custa retomar o tema.

Abaixo estão listados os prejuízos que o fumo passivo causa às crianças:

- Aumenta o risco de bronquite e de pneumonia no primeiro ano de vida.
- Aumenta o risco de desenvolver asma.
- Aumenta a gravidade da asma em quem já tem a doença.
- Diminui a resposta dos pacientes aos corticóides inalatórios (princípio ativo das "bombinhas", usadas para controlar a doença).
- Aumenta a chance de a criança asmática precisar de atendimento de urgência.
- Afeta o crescimento e o desenvolvimento pulmonares.
- Aumenta a chance de ter otite média aguda (infecção de ouvido).

É importante dizer a mãe que fumou na gestação também prejudica seu bebê, pois o tabaco provoca alterações no desenvolvimento pulmonar, além de aumentar a chance de a criança ter alguma crise de chiado e de vir a desenvolver asma. Os bebês têm maior risco de nascer prematuro quando a mãe fuma. E a própria prematuridade predispõe a vários problemas respiratórios.

É importante que os pais ou qualquer outro tabagista que conviva com a criança esteja ciente de como isso afeta a sua própria saúde e a da criança. Parar de fumar é difícil, mas não é impossível. O primeiro passo é querer.


                                                           Fonte: UpToDate; Kendig 2012




Asma e obesidade

Vários estudos têm mostrado que existe relação entre asma e obesidade. Foi visto que alguns grupos de obesos apresentam maior chance de se tornarem asmáticos. Acredita-se que a gordura visceral produza substâncias que favoreçam a inflamação e contribuam para provocar doença nas vias aéreas inferiores.

As crianças asmáticas com sobrepeso e obesidade têm maior risco de ter doença mais grave, de apresentar mais crises e de serem internadas.

Portanto, nesses casos, também faz parte do tratamento a perda de peso.


       Fonte: Kendig and Chernick's Disorders of the Respiratory Tract in Children, 2012




quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quando o paciente com quadro de crises de tosse e chiado deve ser encaminhado a um pneumologista?

          Se uma criança se apresenta com crises de tosse e chiado no peito ou se tem tosse crônica (principalmente à noite ou nas primeiras horas da manhã), é possível que ela tenha asma. Este diagnóstico se torna ainda mais provável se as crises acontecem mais que uma vez por mês, se a tosse ocorre mesmo sem associação com resfriados, se o paciente tem rinite alérgica ou dermatite atópica ou se os sintomas melhoram com o uso de broncodilatadores (Berotec, Aerolin).

          Para obter o controle destes sintomas, é necessário iniciar medicações de uso diário que podem ser corticóides inalatórios (fluticasona, budesonida, mometasona, beclometasona ou ciclesonida) ou antileucotrienos (montelucate).

          É recomendável que o acompanhamento do tratamento de controle dos pacientes seja feito por um pneumologista pediátrico.

          É importante ter em mente que há várias doenças que podem ser confundidas com asma. O pneumologista pediátrico recebe treinamento específico para o reconhecimento e a investigação dos diagnósticos diferenciais, que em pediatria incluem doenças que muitas vezes são raras de se encontrar em adultos.

Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria para o Manejo da Asma - 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Radiografia de seios da face para confirmar sinusite bacteriana: um exame que não ajuda.

     É muito comum observarmos crianças serem radiografadas quando da suspeita de sinusite bacteriana. Contudo, a radiografia de seios da face não ajuda a se chegar a este diagnóstico. O fato de esse exame estar alterado não permite distinguir se a sinusite é viral ou bacteriana. E antibióticos só estão indicados para sinusites bacterianas.

     A melhor forma de diferenciar entre sinusite bacteriana e viral é por meio dos sintomas que a criança vem apresentando. Os sinais que indicam uma maior probabilidade de a sinusite ser bacteriana são: tosse diurna e noturna associada a obstrução nasal com saída de secreção (que pode ser de qualquer tipo: transparente, amarelada, esbranquiçada ou esverdeada). Além disto, o paciente tem que se apresentar com uma das seguintes evoluções: estes sinais (tosse e obstrução nasal) se mantêm sem qualquer melhora por pelo menos 10 dias OU o paciente apresenta sintomas graves (como febre > 39oC e saída de secreção nasal purulenta por pelo menos 3 dias consecutivos) OU ocorre uma piora repentina dos sintomas após um período de aparente melhora do quadro (em geral a piora se dá depois de 6-7 dias de doença).

                                                                                                     Fonte: UpToDate

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A volta da coqueluche

     Em todo o mundo, inclusive no Brasil, tem-se notado um aumento do número de casos de coqueluche, particularmente em adultos e adolescentes. A importância deste fato é que adultos e adolescentes podem transmitir a doença para crianças que ainda não completaram o esquema de vacinação.

    Em seu estágio inicial, a coqueluche se apresenta como um resfriado comum. Após 7 a 14 dias, a tosse piora quanto à sua frequencia e à sua intensidade. Esta fase da doença pode durar por várias semanas. Com o passar do tempo, a tosse vai gradualmente diminuindo. Contudo, pode durar meses até sumir completamente.

     O tratamento da coqueluche requer o uso de antibióticos específicos, da classe dos macrolídeos. Infelizmente, não se deve esperar que o uso destas medicações tenha grande impacto na tosse - elas podem apenas amenizar este sintoma. Mas é importante dizer que a administração do tratamento evita que a doença se espalhe para outras pessoas. Além disso, a medicação também está indicada aos contactantes de casos suspeitos ou confirmados de coqueluche como maneira de evitar que desenvolvam a doença.

     Os pacientes devem ser afastados (creche, escola, trabalho) por 5 dias após início do tratamento.

     Os testes que mais auxiliam no diagnóstico são a cultura de secreção de nasofaringe e o PCR. São exames que normalmente não são cobertos pelos planos de saúde.



Referências:
-Millier A, Aballea S, Annemans L, Toumi M, Quilici S. A critical literature
review of health economic evaluations in pertussis booster vaccination. Expert
Rev Pharmacoecon Outcomes Res. 2012 Feb;12(1):71-94. Review.
- Kendig's Disorders of the Respiratory Tract in Children, 7th edition (2006).
- UpToDate 
 
 
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Tosse sem chiado no peito pode ser asma?

Pode. Faz parte do esteriótipo do asmático a imagem da criança com chiado no peito (sibilância) e falta de ar que precisa nebulizar para aliviar os sintomas. Contudo, a asma pode se apresentar só por tosse em alguns pacientes. Claro que esta não é a apresentação mais frequente da doença. Justamente por isto, esta condição pode não ser prontamente reconhecida ou lembrada pelos pediatras. Geralmente, as crianças chegam ao consultório do especialista com história de estar há várias semanas ou meses tossindo, já tendo passado por várias consultas prévias e usado diversos tipos de medicação, sem sucesso. Nestes casos, uma das coisas mais importantes na consulta com o pneumopediatra é o diagnóstico diferencial com outras doenças que podem se apresentar só por tosse e a implementação de tratamento específico.