domingo, 19 de outubro de 2014

Despedida

Queridos pacientes: Gostaria de informar que tive que fechar o consultório a partir de setembro de 2014. Mas por um motivo justo e nobre - iniciei como professora de pediatria da UFRGS. O concurso exigia regime de dedicação exclusiva. Ao mesmo tempo em que realizo um sonho profissional, tenho que dizer que a interrupção do atendimento no consultório não ocorreu sem pesar. Cuidar (bem) de pacientes é um desafio diário, mas que traz grande prazer. Obrigada a todos os pais que confiaram a mim o cuidado de seus filhos(as). A convivência e os ensinamentos trazidos por vocês estarão sempre guardados em meu coração. Muitas felicidades e saúde a todos. Forte abraço, Dra. Valentina Chakr.

domingo, 25 de maio de 2014

Não, fazer a bombinha chorando NÃO é melhor.

Esse é um problema frequente em crianças pequenas. Tem muita gente que pensa que fazer bombinha (ou nebulização) com a criança chorando é melhor. Na verdade, não é. Às vezes isso representa um consolo para os pais: "Ela briga para fazer o remédio, mas é bom porque a medicação entra mais." Infelizmente, não é assim.

O que acontece no choro? O choro é composto de um processo longo de expiração (ar saindo dos pulmões) seguido por um período curto de inspiração (ar entrando nos pulmões). Não é difícil entender que a medicação só chega aos pulmões durante a inspiração. Mas, mais do que isso, essa inalação tem que ser calma, tranquila. Se ela é feita de forma rápida ou forçada, as partículas da medicação se depositam na boca ou na garganta e não chegam à via área mais inferior, onde elas devem atuar.

Vale lembrar que a criança que chora normalmente está agitada. Assim, é difícil fixar a máscara no rosto dela. Isso também prejudica a eficácia do tratamento, já que pode haver escape do remédio para o ambiente. Além disso, sem um bom selo entre a máscara e o rosto, a válvula dos espaçadores comerciais não funcionam adequadamente, o que contribui para a ineficiência da terapia.

O que fazer, então? Bom, em primeiro lugar, é importante dizer que a maioria das crianças passam a aceitar o uso da bombinha com espaçador com o tempo. Enquanto isso não acontece, o ideal é esperar a criança se acalmar, mesmo que isso retarde um pouco a administração do remédio. Uma outra alternativa é fazer enquanto a criança dorme.



Fonte: Rubin, BK. The delivery of inhaled medication to the young child. Pediatr Clin N Am 50 (2003) 717-731. Whittington Health NHS: Using a spacer device with your child.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Sobre cães e gatos.

     Cães e gatos ainda são considerados "vilões" com relação à asma. Mas não é bem assim... É muito comum os pais de asmáticos perguntarem: "Posso comprar um cão/gato para meu filho?" ou "Tenho que me desfazer do meu animalzinho de estimação?".

     Portanto, vamos esclarecer algumas questões acerca desse tema.
     1- Não existe raça de cachorro/gato que seja menos alérgica que outras.
     2- O comprimento do pelo do animalzinho e a quantidade de pelo que ele solta não faz diferença quanto à chance de a pessoa ter mais ou menos reações alérgicas.
     3- As reações alérgicas relacionadas a cães e gatos estão vinculadas com proteínas (alérgeno) encontradas na pele, saliva e urina desses animais. Portanto, o pelo em si não é o problema. A questão é que as proteínas da pele, da saliva e da urina se aderem ao pelo.
     4- Quando existe evidência de que a criança é alérgica ao animal e isso influencia significativamente no controle de sua doença, pode ser necessário que a família se desfaça dele. Contudo, pode demorar mais que seis meses para a casa se veja completamente livre do alérgeno. Manter o animal fora de casa é uma solução paliativa que não resolve completamente o problema.
     5- Somente a existência de um teste alérgico positivo não é suficiente para dizer se um paciente tem ou não alergia. É necessário que haja sintomas frente à exposição aos animais.
     6- Converse com seu médico para saber qual a conduta mais adequada no seu caso. As decisões a serem tomadas podem ser discutidas e nem sempre temos que impedir o contato com os bichinhos que as crianças tanto adoram.


Fonte: UpToDate e Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia pelo link http://www.aaaai.org/conditions-and-treatments/allergies/pet-allergy.aspx (acesso em 7-2-14).

sábado, 31 de agosto de 2013

Meu bebê vai ter que usar bombinha para sempre?


Felizmente, a maioria dos bebês com diagnóstico de asma não apresentarão mais sintomas até o final da infância. Isso pode parecer uma eternidade para os pais de crianças que têm crises graves ou muito frequentes. Mas a tendência é que os primeiros anos de doença sejam os piores: com o tratamento e o crescimento, costuma-se observar uma amenização dos sintomas. Receber o diagnóstico de asma em um filho causa muita preocupação aos pais e à família. Em geral, isso se deve aos estigmas e mitos relacionados à doença e ao tratamento. O espectro de gravidade da doença é muito variável: nem todos os pacientes chegam a ter crises de falta de ar com chiado intenso e necessidade de nebulização na emergência; outros podem ter só tosse. Em pediatria, nem toda asma dura "para sempre". Mesmo as que persistem até a adolescência/idade adulta podem entrar em período de remissão em que não é necessário usar medicações. Em geral, as crianças que persistem com sintomas além da infância são aquelas com evidência de atopia. Por outro lado, aquelas com tendência a desaparecimento dos sintomas são aquelas que têm crises relacionadas a infecções virais (o que hoje em dia é muito comum devido ao fato de muitas crianças frequentarem creche). Portanto, não, seu filho provavelmente não terá que usar bombinha para sempre.

Fonte: Kendig and Chernick's Disorders of the Respiratory Tract in Children, 8a edição, 2012

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como saber se a bombinha terminou?

Essa é uma questão muito importante! Nem todas as bombinhas vem com contador de dose para nos ajudar. Quanto às bombinhas preventivas, que precisam ser usadas diariamente, a melhor maneira de saber é calculando. Por exemplo: Se o preventivo vem com 60 doses e a dose prescrita é de 1 jato 2 x ao dia, a medicação terminará em 30 dias (se você não esquecer nenhuma dose). Se o preventivo vem com 200 doses e a dose prescrita é de 2 jatos 2 x ao dia, a medicação terminará em 1 mês e 20 dias (se você não esquecer nenhuma dose).

É comum que os jatos das bombinhas continuem saindo com a mesma força mesmo após o término da medicação. Isso não quer dizer que ainda tenha princípio ativo naquele jato. Na verdade, nele só tem o gás propelente. Ou seja, se sua bombinha diz que contém 60 doses de fluticasona, ciclesonida, budesonida ou beclometasona, a partir do jato 61 não mais estarão sendo dispensadas estas medicações, só o gás propelente.

Alguns pacientes permanecem usando suas bombinhas preventivas por dias ou semanas além do término das doses pensando que estão protegidos, quando realmente não estão. Nisso, muitos acabam entrando em crise e podem levar o médico a pensar que o preventivo não está fazendo efeito ou que a dose está baixa, consequentemente ocasionando trocas de preventivo ou aumento de doses sem necessidade.

Portanto, cuidado e marque bem o dia certo de trocar sua bombinha!


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Tabagismo e doenças respiratórias

Todo mundo sabe dos malefícios do cigarro - a mídia está sempre noticiando sobre o assunto. Mas o hábito de fumar e as doenças respiratórias são tão frequentes que não custa retomar o tema.

Abaixo estão listados os prejuízos que o fumo passivo causa às crianças:

- Aumenta o risco de bronquite e de pneumonia no primeiro ano de vida.
- Aumenta o risco de desenvolver asma.
- Aumenta a gravidade da asma em quem já tem a doença.
- Diminui a resposta dos pacientes aos corticóides inalatórios (princípio ativo das "bombinhas", usadas para controlar a doença).
- Aumenta a chance de a criança asmática precisar de atendimento de urgência.
- Afeta o crescimento e o desenvolvimento pulmonares.
- Aumenta a chance de ter otite média aguda (infecção de ouvido).

É importante dizer a mãe que fumou na gestação também prejudica seu bebê, pois o tabaco provoca alterações no desenvolvimento pulmonar, além de aumentar a chance de a criança ter alguma crise de chiado e de vir a desenvolver asma. Os bebês têm maior risco de nascer prematuro quando a mãe fuma. E a própria prematuridade predispõe a vários problemas respiratórios.

É importante que os pais ou qualquer outro tabagista que conviva com a criança esteja ciente de como isso afeta a sua própria saúde e a da criança. Parar de fumar é difícil, mas não é impossível. O primeiro passo é querer.


                                                           Fonte: UpToDate; Kendig 2012




Asma e obesidade

Vários estudos têm mostrado que existe relação entre asma e obesidade. Foi visto que alguns grupos de obesos apresentam maior chance de se tornarem asmáticos. Acredita-se que a gordura visceral produza substâncias que favoreçam a inflamação e contribuam para provocar doença nas vias aéreas inferiores.

As crianças asmáticas com sobrepeso e obesidade têm maior risco de ter doença mais grave, de apresentar mais crises e de serem internadas.

Portanto, nesses casos, também faz parte do tratamento a perda de peso.


       Fonte: Kendig and Chernick's Disorders of the Respiratory Tract in Children, 2012




quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quando o paciente com quadro de crises de tosse e chiado deve ser encaminhado a um pneumologista?

          Se uma criança se apresenta com crises de tosse e chiado no peito ou se tem tosse crônica (principalmente à noite ou nas primeiras horas da manhã), é possível que ela tenha asma. Este diagnóstico se torna ainda mais provável se as crises acontecem mais que uma vez por mês, se a tosse ocorre mesmo sem associação com resfriados, se o paciente tem rinite alérgica ou dermatite atópica ou se os sintomas melhoram com o uso de broncodilatadores (Berotec, Aerolin).

          Para obter o controle destes sintomas, é necessário iniciar medicações de uso diário que podem ser corticóides inalatórios (fluticasona, budesonida, mometasona, beclometasona ou ciclesonida) ou antileucotrienos (montelucate).

          É recomendável que o acompanhamento do tratamento de controle dos pacientes seja feito por um pneumologista pediátrico.

          É importante ter em mente que há várias doenças que podem ser confundidas com asma. O pneumologista pediátrico recebe treinamento específico para o reconhecimento e a investigação dos diagnósticos diferenciais, que em pediatria incluem doenças que muitas vezes são raras de se encontrar em adultos.

Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria para o Manejo da Asma - 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Radiografia de seios da face para confirmar sinusite bacteriana: um exame que não ajuda.

     É muito comum observarmos crianças serem radiografadas quando da suspeita de sinusite bacteriana. Contudo, a radiografia de seios da face não ajuda a se chegar a este diagnóstico. O fato de esse exame estar alterado não permite distinguir se a sinusite é viral ou bacteriana. E antibióticos só estão indicados para sinusites bacterianas.

     A melhor forma de diferenciar entre sinusite bacteriana e viral é por meio dos sintomas que a criança vem apresentando. Os sinais que indicam uma maior probabilidade de a sinusite ser bacteriana são: tosse diurna e noturna associada a obstrução nasal com saída de secreção (que pode ser de qualquer tipo: transparente, amarelada, esbranquiçada ou esverdeada). Além disto, o paciente tem que se apresentar com uma das seguintes evoluções: estes sinais (tosse e obstrução nasal) se mantêm sem qualquer melhora por pelo menos 10 dias OU o paciente apresenta sintomas graves (como febre > 39oC e saída de secreção nasal purulenta por pelo menos 3 dias consecutivos) OU ocorre uma piora repentina dos sintomas após um período de aparente melhora do quadro (em geral a piora se dá depois de 6-7 dias de doença).

                                                                                                     Fonte: UpToDate

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A volta da coqueluche

     Em todo o mundo, inclusive no Brasil, tem-se notado um aumento do número de casos de coqueluche, particularmente em adultos e adolescentes. A importância deste fato é que adultos e adolescentes podem transmitir a doença para crianças que ainda não completaram o esquema de vacinação.

    Em seu estágio inicial, a coqueluche se apresenta como um resfriado comum. Após 7 a 14 dias, a tosse piora quanto à sua frequencia e à sua intensidade. Esta fase da doença pode durar por várias semanas. Com o passar do tempo, a tosse vai gradualmente diminuindo. Contudo, pode durar meses até sumir completamente.

     O tratamento da coqueluche requer o uso de antibióticos específicos, da classe dos macrolídeos. Infelizmente, não se deve esperar que o uso destas medicações tenha grande impacto na tosse - elas podem apenas amenizar este sintoma. Mas é importante dizer que a administração do tratamento evita que a doença se espalhe para outras pessoas. Além disso, a medicação também está indicada aos contactantes de casos suspeitos ou confirmados de coqueluche como maneira de evitar que desenvolvam a doença.

     Os pacientes devem ser afastados (creche, escola, trabalho) por 5 dias após início do tratamento.

     Os testes que mais auxiliam no diagnóstico são a cultura de secreção de nasofaringe e o PCR. São exames que normalmente não são cobertos pelos planos de saúde.



Referências:
-Millier A, Aballea S, Annemans L, Toumi M, Quilici S. A critical literature
review of health economic evaluations in pertussis booster vaccination. Expert
Rev Pharmacoecon Outcomes Res. 2012 Feb;12(1):71-94. Review.
- Kendig's Disorders of the Respiratory Tract in Children, 7th edition (2006).
- UpToDate 
 
 
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Tosse sem chiado no peito pode ser asma?

Pode. Faz parte do esteriótipo do asmático a imagem da criança com chiado no peito (sibilância) e falta de ar que precisa nebulizar para aliviar os sintomas. Contudo, a asma pode se apresentar só por tosse em alguns pacientes. Claro que esta não é a apresentação mais frequente da doença. Justamente por isto, esta condição pode não ser prontamente reconhecida ou lembrada pelos pediatras. Geralmente, as crianças chegam ao consultório do especialista com história de estar há várias semanas ou meses tossindo, já tendo passado por várias consultas prévias e usado diversos tipos de medicação, sem sucesso. Nestes casos, uma das coisas mais importantes na consulta com o pneumopediatra é o diagnóstico diferencial com outras doenças que podem se apresentar só por tosse e a implementação de tratamento específico.

domingo, 12 de agosto de 2012

Vacinas: Particular ou posto? Clínica ou SUS? O que é melhor?

     Apesar de este blog ser de pneumologia, neste texto vou comentar um pouco sobre cada vacina e não só sobre a pneumo 13 porque percebo que é uma dúvida frequente entre os pais. Também porque já vi muitos fóruns de mães pela internet com informações que não são consideradas corretas. O que me motivou a escrever sobre isto foi o nascimento da minha filha Alice, que agora está com 4 meses. Com isto, corri atrás das respostas às minhas dúvidas. Considerando que haja a possibilidade de se arcar com as despesas, qual é a melhor escolha? Vamos às considerações...

     Para começar, boas notícias: o governo brasileiro vai incluir no calendário básico a varicela (catapora), que até então só havia na rede particular (~R$ 150). Será disponibilizada a partir de agosto de 2013 e virá sob a forma de "tetra viral", junto com caxumba, sarampo e rubéola. A enfermeira da clínica onde levo a Alice me disse que o SUS também contará com a vacina contra hepatite A, mas não consegui confirmar esta informação em outras fontes. Além disso, o Ministério da Saúde lançará a vacina contra poliomielite na forma de vírus inativado (intramuscular) ao invés de vírus vivo atenuado (oral). Mas a pólio inativada só será feita nas 2 primeiras doses (quando a chance de paralisia pela vacina é maior). A vantagem da vacina de vírus inativado é que a chance de ocorrer poliomielite pós-vacinal é nula. Teoricamente, por conferir alta imunidade, também não é preciso que a criança participe de campanhas de vacinação se estiver com o esquema completo. 

     Assim, se por estas razões você decidir fazer a pólio inativada, acabará inevitavelmente fazendo também a tríplice bacteriana (DPT) acelular, pois nas clínicas eles não têm DPT e pólio em vacinas diferentes. É tudo combinado em uma só injeção, a chamada pentavalente (~R$ 140): DPT + pólio + hemófilus. No posto, se faz a tetra (DPT de célula inteira + hemófilus) e pólio oral. A vantagem em se fazer a DPT acelular em relação à de célula inteira é a menor incidência de efeitos colaterais como febre alta e choro persistente.
  
     Na rede particular existe ainda a hexavalente (~R$ 180), que contém as mesmas vacinas da pentavalente + hepatite B. A 1a dose da hepatite B é feita na maternidade. A segunda dose pode ser feita com 1 mês no posto ou com 2 meses na vacina hexavalente. Se optar por fazer com 1 mês, a economia será de uns R$ 40, pois você faria a pentavalente, e não a hexavalente no 2o mês. Cabe a cada um se perguntar: vale a pena? No 6o mês, é necessária mais uma dose de DPT, pólio, hemófilus e hepatite B. Seriam então 2 injeções considerando penta (clínica) + hepatite B (posto), certo? Mas o problema é que neste mês também tem o reforço da pneumo. Então seriam 3 picadas! Para economizar nas picadinhas, então o melhor seria pagar a hexa.

     Rotavírus: no posto, a vacina contém um sorotipo do vírus, enquanto a da clínica, cinco. Assim, a proteção contra doenças diarréicas é maior porque os sorotipos a mais incluídos na vacina particular são bem prevalentes no Brasil. A vacina do SUS precisa de 2 doses e a da clínica, de 3. Mas é oral e a 3a dose é feita na mesma época de outras vacinas. Ou seja, você não tem que ir na clínica só para isto. Preço: ~R$ 140.

     Tríplice viral: não há diferença entre posto e clínica. Mas se for fazer varicela na clínica, dá para fazer tríplice viral + varicela na mesma injeção ("tetra viral"). Preço: ~R$ 190.

      Agora a vacina mais temida pela carteira dos pais: pneumo 13, que custa ~R$ 245 (e são necessárias 4 doses). Ela contém 3 sorotipos a mais que a vacina do posto, o que representa um aumento de 6-10% na proteção contra meningite pneumocócica, que é uma doença bem grave e que causa sequelas. Apesar de as pessoas falarem muito sobre a proteção contra otites médias, esse não é o objetivo principal da vacina. O que importa mesmo é a proteção contra meningite e pneumonia.

      Quanto às vacinas meningo C e BCG não há diferença entre posto e clínica.

    É bom que se diga que todas as considerações sobre as vacinas levam em conta a relação custo-benefício. Se conforto, aparência e conveniência de horários são ítens fundamentais para você, então o melhor seria fazer todas as vacinas na clínica particular. Vai preparando o cofrinho...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Esta bombinha é muito forte para uma criança."

Esta frase é frequentemente ouvida por pais de crianças que usam bombinhas preventivas, que são aquelas de uso diário e que visam a diminuir a frequência das crises de asma.

Estas frases costumam ser ditas por familiares, conhecidos da família e até mesmo por balconistas de farmácia, que normalmente são confundidos com "farmacêuticos" (na maioria das vezes, a pessoa que atende o consumidor na farmácia é um vendedor, sem curso superior na área de Farmácia). Em geral, estas pessoas são leigas ou não têm formação médica específica e, embora possam estar querendo ajudar emitindo este tipo de opinião, acabam atrapalhando o tratamento. Quase sempre, a idéia que elas têm sobre a medicação é baseada em mitos ou crendices populares sem nenhuma fundamentação científica.

Se este tipo de cometário lhe causar medo ou insegurança, não suspenda a medicação prescrita. Converse primeiro com o médico que a prescreveu e tire as suas dúvidas. Existem vários estudos e diretrizes nacionais e internacionais que norteiam a prescrição das bombinhas preventivas e todo bom médico sabe quais as doses apropriadas para cada paciente. Se o(a) filho(a) de um conhecido seu usa uma medicação diferente ou uma dose diferente, deve existir uma razão para isto: nenhum paciente é igual ao outro.

As bombinhas preventivas têm como princípio ativo algum tipo de corticóide inalatório. É comum que os pais não se atentem para o fato de que o uso repetido de corticóide oral em forma de xarope (prednisolona, dexametasona, betametasona,...) nas crises de asma apresentam um risco muito maior de efeitos adversos do que o uso da medicação preventiva. Enquanto que a dose da medicação oral é calculada em miligramas, a dose da medicação inalatória é calculada em microgramas, sendo que o micrograma é mil vezes menor que o miligrama. Além disso, a absorção pela corrente sanguínea do corticóide inalatório que se deposita na via aérea é muito menor do que a do corticóide oral, que cai na circulação e passa por todos os órgãos do corpo. Pense nisto!

A vacina da gripe causa gripe?

Definitivamente, NÃO! A vacina da gripe distribuída no Brasil é feita de vírus morto. Isto significa que ele não é capaz de causar doença.

As reações adversas relaciondas à vacina ocorrem logo após a injeção e normalmente duram 1 ou 2 dias.

As reações adversas mais comuns são: (1) dor no local da aplicação, podendo estar associada a vermelhidão e inchaço restritos ao local da injeção; (2) febre baixa; (3) dor de cabeça, dor muscular.

Todas as pessoas que não apresentem contra-indicações à vacina devem recebê-la.

Contudo, é especialmente importante que crianças abaixo de 5 anos e crianças de qualquer idade com doenças pulmonares crônicas (como a asma) sejam vacinadas. Isto se justifica pelo fato de que elas têm maior chance de apresentar complicações relacionadas à gripe (pneumonia, desidratação, exarcebação da asma: tudo isto podendo levar à hospitalização e, em raros casos, à morte).

Não podemos esquecer que as pessoas que moram com estas crianças ou que cuidam delas (professoras de creche e babás, por exemplo), também devem ser vacinadas.


Fonte: CDC - http://www.cdc.gov/flu/protect/keyfacts.ht
                      http://www.cdc.gov/flu/protect/infantcare.htm

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Como usar o espaçador de bocal (com vídeo)


IMPORTANTE:

- Depois de disparar a medicação, inspire o mais lentamente e profundamente possível.

- Em seguida, retire o espaçador da boca e tranque a respiração por 10 segundos. Algumas crianças deixam o ar escapar pelo nariz neste momento. Nestes casos, pince o nariz com os dedos para evitar a expiração.

- Se necessário administrar mais que 1 jato, repita os passos de 4 a 8.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Como usar o espaçador de máscara (com vídeo).


IMPORTANTE:

- Certifique-se que a máscara esteja bem selada ao rosto da criança para que não haja escape da medicação.
- Após disparar a medicação, deixe que a criança respire normalmente por pelo menos 6 vezes (preferencialmente de boca aberta, quando possível).
- Se é preciso fazer mais que um jato, repita os passos de 3 a 6.
- Não administre o remédio com a criança deitada ou dormindo.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Como fazer um espaçador para inalação através de bocal? MODELO 2

Caso não seja possível comprar um, existe a opção de fazer seu próprio espaçador. O modelo abaixo serve crianças maiores, que utilizam a técnica de inalação por bucal (acima de 4-5 anos).

Você vai precisar de: 2 garrafas plásticas de 500 ml, faca, tesoura, fita adesiva e panela com água quente.

Cuidado: não faça o espaçador com crianças por perto devido ao risco de acidentes como cortes e queimaduras.

Corte cada garrafa mais ou menos no meio*.








Cole-as com fita crepe.


Mergulhe um dos bocais em água fervente para tornar o plástico
mais maleável para permitir o encaixe do spray.



Encaixe o spray no bocal e espere
o plástico esfriar.

* Se a criança for pequena, o ideal é que o corte seja feito um pouco mais próximo ao bocal para que o volume total do espaçador seja de 300 ml aproximadamente.

NÃO DEIXE DE APRENDER COMO USAR ESSE ESPAÇADOR EM:



domingo, 29 de maio de 2011

Espirometria: o básico

     A espirometria mede o quanto de ar se move para dentro e para fora dos pulmões e também o quão rápido se dá este movimento. Ela ajuda seu médico a dizer se seu filho tem doença pulmonar, o grau de sua gravidade e quais medicações auxiliarão no tratamento.
  
     A espirometria poderá ser feita no consultório do próprio médico ou num laboratório de função pulmonar. É importante salientar que nem todos os laboratórios dispõem de técnicos capacitados para realizar espirometria em crianças. Um bom técnico em espirometria precisa ser alguém que tenha facilidade de comunicação com o paciente pediátrico e saiba usar recursos que facilitem a compreensão do exame pela criança. É necessário também ser bastante paciente e perseverante, já que, na maioria das vezes, a criança estará realizando o exame pela primeira vez e possivelmente não executará a manobra perfeitamente nas primeiras tentativas.
  
Aos 6 anos, a maioria das crianças já consegue fazer espirometria, embora algumas sejam capazes de realizá-la antes mesmo desta idade.
Na maioria das vezes, a espirometria é repetida após a inalação de salbutamol (um broncodilatador) para saber se a respiração melhora após a administração desta medicação. Este teste é chamado teste pós-broncodilatador ou teste de resposta ao broncodilatador. 

     O exame não dói. Será solicitado que a criança encha o peito de ar profundamente e sopre através de um bocal conectado a um computador. Ela terá que repetir esta manobra várias vezes para que o melhor resultado seja registrado. O teste pode demorar até 40 minutos para terminar.

sábado, 21 de maio de 2011

Como fazer um espaçador para bebês e crianças pequenas? MODELO 1

Caso não seja possível comprar um, existe a opção de fazer seu próprio espaçador. O modelo abaixo serve crianças pequenas (abaixo de 4 anos).
Você vai precisar de: garrafa plástica de 500 ml, faca, tesoura, fita adesiva e panela com água quente.

Cuidado: não faça o espaçador com crianças por perto devido ao risco de acidentes como cortes e queimaduras.

1.Corte o fundo da garrafa.
2. Com uma tesoura, corte a borda da garrafa de maneira que seja criado um espaço para que o espaçador se adapte ao nariz da criança. Ao colocar o espaçador no rosto, ele deve recobrir a boca e o nariz sem deixar espaço para que a medicação escape. Use uma fita crepe para proteger a região cortada e não machucar o rosto da criança.




3.Mergulhe o bocal da garrafa em uma panela com água quente para que o plástico fique maleável.

4.Logo em seguida, adapte a bombinha no bocal e espere o plástico esfriar para que o encaixe fique perfeito.

















Atenção! Não deixe de limpar o espaçador 1x/semana. Veja em:
http://valentinapneumo.blogspot.com.br/2011/05/como-limpar-o-espacador.html

APRENDA COMO USAR ESSE ESPAÇADOR EM:
http://valentinapneumo.blogspot.com.br/2011/07/como-usar-o-espacador.html

Como limpar o espaçador?

     Na realidade, a limpeza do espaçador é mais que uma questão de higiene, é um procedimento que garante uma maior disponibilidade da medicação para o paciente. Isto porque existe uma força de atração que faz com que algumas partículas do medicamento se depositem na parede do espaçador. Quando o espaçador é lavado, esta força diminui e permite um maior aproveitamento do remédio.

     Veja como limpar o espaçador passo a passo (clique na imagem para ampliar):
1- Remova o plástico do espaçador onde se encaixa a bombinha.
2- Encha uma pia limpa ou uma vasilha grande com água morna. Adicione uma gota de detergente.
3- Mergulhe as duas peças na água com detergente e agite horizontalmente.
4- Enxágue somente o bocal com água corrente.
5- Agite para remover o excesso de água.
6- Deixe secar na posição vertical. Não seque com pano ou tolha - deixe a água evaporar naturalmente.
7- Remonte o espaçador quando completamente seco.
    Repita o processo 1 x por semana.